por P. Júlio Caldeira, imc, Missionário na Colômbia
Do dia 6 ao 27 de outubro de 2019 vai realizar-se em Roma o Sínodo para a Amazónia, com o objetivo de “encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta” (Papa Francisco, 15 de outubro de 2017).
Caminhar juntos
Etimologicamente a palavra Sínodo significa “caminhar juntos”. Na tradição eclesial pós-Vaticano II, é uma prática realizá-los para reflexionar juntos alguns assuntos concernentes à Igreja Católica ou problemas referentes diretamente a uma região determinada, como é o caso da Amazónia, que responde a um apelo do Papa Francisco a toda a Igreja, para olhar e defender integralmente esta realidade.
É uma assembleia para pensar juntos os novos caminhos da Igreja desde esta realidade e da trajetória dela nos últimos cinco séculos, entre luzes e sombras, bem como aprender dos seus povos e tradições elementos para uma ecologia integral (Laudato Si´, 137-162).
O que está em jogo?
O bioma amazónico representa 43,8% da América do Sul com uma extensão de 7,8 milhões de Km2 (equivalente a 76,6% da superfície da Europa), partilhada por nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. A sua população é de aproximadamente 34 milhões de habitantes, dos quais 15% são povos indígenas autóctones pertencentes a 385 etnias e falando aproximadamente 240 línguas diferentes.
A sua rica biodiversidade também alberga 20% da água doce, 1/3 do material genético e de bosques primários do mundo, com milhões de espécies animais e vegetais. É a maior província mineral e a segunda região geopolítica estratégica do planeta, sendo objeto de interesses internacionais das grandes potências, que estão levando ao desmatamento, queimadas, mineração e pecuária insustentável para o ambiente e que gera grandes impactos ao clima do planeta.
A sua riqueza sociocultural também vem perdendo muito a sua identidade e “a par do património natural, encontra-se ameaçado um património histórico, artístico e cultural” (Laudato Si`, 143).
O que podemos fazer juntos?
Este Sínodo é uma oportunidade para a construção de uma Igreja Católica encarnada na realidade amazónica, inculturada e a partir da sinodalidade, no seu desejo de ser uma “Igreja com rosto amazónico”, exercendo o seu papel profético e onde todos tenham a oportunidade de participar.
Até agora, viveu-se intensamente o processo pré-sinodal, onde mais de 87 mil vozes distintas foram escutadas nas comunidades, paróquias, vicariatos, prelazias e dioceses amazónicas e em diversas partes do mundo, onde se realizaram 260 eventos como assembleias territoriais, fóruns temáticos, círculos de conversação e eventos académicos. Desde que saiu o documento de trabalho em junho passado, cada país realizou assembleias pré-sinodais com a participação de agentes pastorais, ministros e da população indígena, camponesa, urbana e afrodescendente para estudá-lo, junto com os bispos que participarão do Sínodo.
A celebração do Sínodo será uma oportunidade para colocar em comum o ideal de continuar a construir uma Igreja Católica que demonstre a sua “unidade na diversidade” e que queira assumir um serviço ao Evangelho adequado aos nossos tempos e à realidade histórica, social e cultural da Amazónia, para uma vida em plenitude para todos (como quer Jesus – cf. Jo 10,10 – e é o sonho dos povos indígenas – Sumak Kawsay).
